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Beltrão, o jovem músico indeciso / Dennis D.
Aconteceu de verdade, verdade verdadeira.
Por acaso, eu ainda estava ali e presenciei a conversa entre o jovem músico e o Maestro T.
O maestro perguntou-lhe: “E então, já se decidiu, Beltrão?” (é claro que o nome do rapaz era outro)
Beltrão, entretanto, parecia tudo, menos um sujeito decidido. O engraçado é que ele trazia uma perinha de barba no queixo, que parecia o próprio ponto de um sinal de interrogação.
Em menos de trinta segundos, eu já sabia qual o tormento de Beltrão: ele não sabia qual caminho escolher, se o de virtuose ou o de compositor.
Fiquei imaginando que a coisa o devia estar atormentando tanto quanto um terrível dilema de natureza sexual, do tipo “devo comer ou devo dar?”
O conselho do Maestro T. combinou direitinho com os meus maldosos pensamentos.
Disse o professor e regente: “Olhe aqui, Beltrão, cada caminho irá apresentar suas exigências, suas dificuldades específicas, e cada caminho irá oferecer um tipo de prazer diferente. Não digo que você não possa trilhar ambos os caminhos ao mesmo tempo, meu filho, mas o seu coração vai cobrar uma escolha, pode apostar. Um dia a cobrança virá. Pense bem e assuma, Beltrão. Assuma e 'detone'!”
Por Mozart! - que cena de libreto. Afastei-me rapidamente, para não rir na cara dos dois.
Escrito por Dennis D. : 16h03

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Bons tratos / Dennis D.
Não por amor, mas por certas conveniências, o Homem-Égua casou-se com a Mulher-Cavalo.
Eram ambos estéreis como um mulo e uma mula, por isso decidiram adotar o gracioso Menino-Potra, cujos olhos pareciam lagoinhas de mel e cujos dentes brilhavam no escuro.
Quando o belo Menino-Potra completou quinze anos, o pai adotivo matou-o com um coice certeiro no meio da testa. Matou-o por ciúme, por inveja, e porque jamais o amara como se ama um filho. Matou-o e deu sumiço no corpo.
Ao voltar para casa, ao fim daquele mesmo dia, a Mulher-Cavalo encontrou um bilhete sobre a mesa da cozinha.
“Mãe, eu vou pegar a estrada e ganhar o mundo. Perdão pelo sofrimento que lhe causo. Não chore. Prometo que um dia eu volto.
Seu filho, o Menino-Potra.”
Ela leu e releu o bilhete. Não reconheceu a letra do marido.
Na manhã seguinte, o Homem-Égua foi até a loja de animais e voltou com um filhote de Lhasa Apso.
“É pra você, querida. O nome dele é Guri-Cadela.”
A Mulher-Cavalo ficou com os olhos cheios d’água, e disse: “Que lindo!”
Depois, perguntou: “Ele vive bastante tempo?”
O Homem-Égua respondeu: “Se bem tratado, uns quinze anos”.
Escrito por Dennis D. : 14h44

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O rapaz / Dennis D.
Sentado sobre as palmas das mãos, o rapaz começou a falar. Ele tinha os lábios muito pálidos e um leve prognatismo mandibular. A sua voz era agradável, mas de modulação hipnótica.
O discurso estava entre uma confissão resignada e um libelo contra o seu próprio destino.
“Quebrei a mão na cama, dormindo; quase morri engasgado com uma simples goma Valda; tenho o indicador da mão direita torto para o lado esquerdo; meu segundo nome é Tércio; minha primeira namorada foi a quinta namorada do meu irmão mais novo; nunca soltei pipa; nunca rodei peão; nunca bebi água da chuva; nunca brinquei de tinta invisível; a minha cor preferida é o branco, que nem é cor; não posso comer nada que tenha coco e nada que tenha nozes; não gosto de leite condensado; não posso usar vinagre na salada, porque o vinagre me deixa rouco, fui assaltado três vezes no Play Center; já me perdi na Serra de Paranapiacaba, ninguém percebeu, acabei achando o caminho de volta, depois de nove horas, seguindo um cachorro que andava de lado; tenho uma marca funda no braço direito, porque me aplicaram uma vacina que arruinou; um ladrão já invadiu o meu quarto, mas não quis levar nada; fui liberado do exército, mas meu pai falou com um coronel amigo dele e o cara anulou a minha liberação; vi uma pomba em cima de uma cueca que eu tinha deixado pra secar no peitoril da janela do meu quarto, espantei a pomba, mas ela largou um monte piolhos na cueca, só percebi depois; já encontrei um pedaço de vidro verde dentro de uma broa de milho comprada numa padaria da Mooca; já levei quatro pontos no lábio superior, porque bebi café numa xícara que estava trincada; sem querer, a minha professora de inglês já passou com o carro em cima do meu pé, e eu perdi a unha do dedão, que depois cresceu de novo; já me levaram a um centro espírita, mas eu tive acesso de tosse e fui convidado a sair. Fiquei quase três horas sentado num banco sem encosto, do lado de fora do Centro, passando frio; o meu irmão já me acusou de ter roubado uma caixa inteira de camisinhas (?!?), meu pai acreditou nele, falaram para todo mundo, e, depois de dois dias, acharam todas as camisinhas debaixo do colchão da minha avó, que está com princípio de Alzheimer; fui ao supermercado comprar um tubinho de Super Bonder e uma coca de dois litros, acabei levando um choque elétrico na geladeira de refrigerantes, desmaiei e quiseram me levar para o pronto-socorro de Guaianazes, mas aí faltou luz no supermercado e acabaram me liberando, sem a coca dois litros e sem o Super Bonder. Não vou contar o que aconteceu nesta semana, porque me dá vontade de morrer. Preciso contar?”.
“Não precisa, não”, eu disse. Sou irremediavelmente viciado em duplas negativas.
Escrito por Dennis D. : 11h40

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Cigarettes And Chocolate Milk / Dennis D.
Manolo eu lhe suplico: não me chame mais de ‘autêntico’. Não sou isso, nunca fui e nunca serei. Como poderia eu ser ‘autêntico’, se ainda nem me conheço direito? Pare de cheirar Ki-Suco, Manolo, não delire.
Além do mais, meu caro missivista eletrônico, sempre que se diz que uma pessoa é ‘autêntica’, pimba! — a criatura é cafona. Todo ser humano ‘autêntico’ é cafona, Manolo, pode anotar aí no seu bloquinho de aforismos surrupiados dos e-mails do Dennis. Digo-lhe ainda: os macacos, os cães, os gatos, as galhinhas, os peixes, as lagartixas, todos os bichos sem título de eleitor, apenas eles conseguem ser autênticos e permanecer isentos de cafonice. Segurou uma flatulência, reprimiu um arroto, mentiu para não ofender, suavizou para não chocar, enfeitou para impressionar — lá se foi a tal autenticidade, se é que um dia tenha existido.
E outra coisa mais, Manolo: evite reproduzir essa penca de adjetivos e de frases feitas que vive pendurada na boca do povo que curte MPB nos botecos da Vila Madalena. Evite chamar mulheres de ‘guerreiras’, por exemplo. Tente não repetir chatices terminológicas como ‘música-raíz’, ‘cultura-raiz’, ‘ação afirmativa’ e outros lero-leros.
Não queira cultuar o politicamente correto, Manolo. Toda criatura que se diz politicamente correta é hipócrita. Hipócrita e cafona, porque estas duas coisas acabam juntas e infelizes para sempre.
Vamos agora àquela indagação que você me faz a respeito dos homens que vivem de bermudas pelas ruas e shoppings de São Paulo. Sim, Manolo, creio que exista, sim, um limite de idade para o homem civilizado se vestir desse modo fora das cidades balneárias, estâncias climáticas e hidrominerais: vinte anos, talvez um pouquinho mais. Acima desta idade, convém que homens usem calças compridas e procurem reduzir gradualmente o uso de tênis e chinelas até chegar ao zero absoluto.
No caso das mulheres (você não perguntou, mas eu digo mesmo assim), se elas forem do tipo atlético-esportivo-natureba, bem, essas nem existem para mim. Quero distância de mulheres com cheiro de jogador de futebol em final de partida — como aquela sua ex-namorada, a Teka, ou Tika, sei lá. Aquela que amassava latinhas de cerveja nas axilas. Lembrou-se dela, Manolo? Ela era uma autêntica guerreira, uma ecologista vigorosa, uma ativista do politicamente correto, uma racianista de dar nojo. Agora, Manolo, tente apagar de sua mente a triste imagem de Teka ou Tika. Será melhor para o seu equilíbrio psicossomático.
... Finalizo com um agradecimento.
Muito obrigado por enviar as entradas para a apresentação de Rufus Wainwright (que decididamente não é cafona). Sim, certamente estarei lá. Quero muito ouvir ‘Cigarettes And Chocolate Milk’ ao vivo, se a canção estiver no programa, é claro.
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Ouça a bela Cigarettes And Chocolate Milk
Escrito por Dennis D. : 12h11

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Abomináveis e insuportáveis / Dennis D.
Em catorze categorias principais (as subcategorias são inumeráveis), aqui estão, Manolo, os tipos de seres humanos que eu considero verdadeiramente abomináveis e insuportáveis:
· Os barulhentos
· Os invasivos
· Os ‘superalegres’
· Os falastrões
· Os arrogantes
· Os mentirosos
· Os pedantes
· Os omissos
· Os covardes
· Os corruptores
· Os corruptos
· Os ladrões
· Os hipócritas
· Os jornalistas chapa-branca
Em tempo: no quesito ‘Credulidade Master’, Manolo, você é campeoníssimo. Sim, criatura, você acredita ter mesmo 469 amigos. E ainda oferece a ‘prova’, ao exibir o seu perfil no Orkut. Por isso, entre outras coisinhas tristes, é que Lula continua a fazer os discursos que faz. Lula, aliás, é o Baron Münchhausen que os brasileiros fizeram por merecer.
Escrito por Dennis D. : 11h44

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Meus sete anos / Dennis D.
Ela me atormentava, porque me amava. Falo de Arlette, minha primeira namorada. Um dia esfreguei chocolate derretido nas perninhas finas dela, e gritei: “Ela fez nas calças! Ela fez nas calças!” Arlette chorou oceanos. Depois chorei eu, de remorso, de pena, em casa, escondido de todos e de mim mesmo.
Escrito por Dennis D. : 08h08

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Norma Liz e Paulino
Cara de esfinge egípcia, avental amarrado na cintura, Norma Liz foi acordar o marido: “Acho bom levantar dessa cama, Paulino, porque vou servir o almoço daqui a dez minutos.” Quando já ia saindo do quarto, anunciou: “Fiz estrogonofe”. Nunca, num almoço de domingo, aquela gente comeu tão bem. Sobrou uma colher de arroz branco no fundo da tigela, nada mais. Jester e Janini, os filhos adolescentes, elogiaram o estrogonofe de Norma Liz. Paulino não disse nada, mas pensou “Foi o melhor estrogonofe de frango que eu já comi nesta vida. Até que a vaca cozinha bem”. Então apanhou o jornal e foi ler na varanda dos fundos. Distraído, custou a perceber o silêncio absoluto em suas trinta e oito gaiolas de canários premiados.
Escrito por Dennis D. : 07h43

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Nunca, jamais / Dennis D.
Nesta vida, Manolo, eu já vi amostras de quase todas as vilanias, amostras de quase todas as mazelas. Vi gente que vendeu a honra para o Capeta em troca de trinta dinheiros paraguaios (e ainda ofereceu o coração e a consciência como brindes); vi mãe roubar o namorado da filha; vi filho arrumar vagabundas para o pai, e cobrar caro pela gigolotagem; vi marido e mulher cornearem-se sob mútuo consentimento; vi uma fulana divorciada que entregou a guarda do próprio filho para a ex-sogra, a fim de contentar um jovem amante arrumado há poucos meses; vi a inveja a urdir todo tipo de trama destrutiva, traiçoeira, cruel; vi covardes a usar inocentes como escudo; vi abusos morais e físicos; vi inumeráveis estelionatos artísticos; vi religiosidade de conveniência; vi preciosismo no sadismo; vi as mais abjetas formas de subserviência; vi assassinatos graduais; vi lentíssimos suicídios; vi júbilo despudorado diante da morte; vi o ódio escondido atrás de um sorriso; vi a sombra fantasiada de luz; vi injustiças que despedaçam nervos, vi a corrosão deixada por uma calúnia; vi a impotência absoluta diante das afrontas; vi a negação de todos os princípios, a negação da fé, a negação da própria origem; vi a indiferença mais criminosa; vi a omissão; vi a burocracia no amor; vi a desesperança. Já vi o diabo, neste mundo. Só não vi, Manolito, gente de esquerda arrumando as malas e mudando-se alegre, voluntária e definitivamente para Havana. Nem em sonho. Nem com porre de vermute.
Escrito por Dennis D. : 14h41

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O que passou, passou / Dennis D.
Teso e contrariado ao miolo dos ossos, Jorge Antunes sentou-se diante do psiquiatra. “Lamento tomar o seu tempo em vão, doutor. Vim até aqui apenas para sossegar a Martinha, minha mulher. Sou homem vivido, reto de caráter, tive uma infância difícil, sempre pensaram o pior de mim, nunca me facilitaram coisa alguma em tempo algum, mas – com muita coragem e perseverança - superei toda aquela desgraça e segui em frente. Hoje, doutor, eu acordo e durmo sem pensar naquela gente pustulenta, naquela corja que merece se arrastar na escuridão eterna, sem os pés, sem as mãos e sem a língua, bebendo urina de cadáveres e comendo vísceras putrefatas de cachorros atropelados. O que passou, passou. A vida é o hoje, é o agora. A vida é o que se vê, o que se toca, não o que se imagina. Concorda comigo, doutor?”
O psiquiatra parou de desenhar aranhas e sorriu.
Escrito por Dennis D. : 09h03

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O mísero orvalho / Dennis D.
Não, Manolo, eu jamais me interessei por esportes radicais. Fui literariamente estimulado desde a infância, logo... a minha imaginação hipertrofiou-se. Hoje, eu consigo experimentar as emoções humanas mais intensas, sem tirar a bunda da poltrona. Não preciso amarrar uma corda elástica na cintura, atirar-me de altas pontes, ou sacudir-me dentro de um jipe coberto com adesivos coloridos, ou percorrer trilhas pedregosas, ou atravessar charcos infectos até a lama penetrar no avesso de minhas cuecas, ou pisar em rãs venenosas da Amazônia, ou voar dependurado em engenhocas feitas de tubos de alumínio e metros de náilon cor de laranja. Nunca fui caçador de emoções, Manolo, são elas – as emoções - que me perseguem e alcançam. Lamento que você se desgaste tanto, para liberar um mísero orvalho de adrenalina no sangue. É triste isso. A mim me basta fechar os olhos, nada mais. Quer saber de uma coisa? Sou um magnata da imaginação, Manolo! Deprimido, neurótico, mas riquíssimo de idéias. Você, bem... você é um indigente da imaginatividade. Vá pular de pontes, Manolo! Vá queimar calorias com aquela gente que amarra gravatas na testa!
Escrito por Dennis D. : 17h59

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A Casa dos Cravos / Dennis D.
Era setembro de 1925, naquela nova São Paulo toda modernista, onde – a despeito dos oswalds pançudos, dos marios cabeçudos e dos abapurus pezudos, ainda se falava algum francês, aqui e ali, nos salões da Avenida Paulista. Bem, vamos aos fatos! Fernando Barbosa Fernandes casou-se com Mariazinha Camargo de Lima e foram morar no casarão (tão bem proporcionado) hoje conhecido como Casa dos Cravos. Dizem que Mariazinha e Fernando eram dados a jogos de amantes. Não passavam uma noite sequer, sem brincar de esconde-esconde, ele de pijama de seda, ela com a camisola de cetim duchese, ambos descalços, cheios de risos, de suspirações, de aiaiais. Aquilo parecia uma festa sem fim, mas não durou muito, não. Numa dessas brincadeiras noturnas, Fernando resolveu se enfiar no fundo de um armário guarda-casacos que existia sob uma das escadas. Nesse armário ele foi surpreendido pela morte súbita. Ataque fulminante. Tinha trinta anos, o coitado. Mariazinha enterrou Fernando e, dez meses depois, casou-se com Olegário Pinto de Meneses, outro paulistano riquíssimo, dono de quase todos os prédios da Rua Direita, no velho centro. Foram morar na Casa dos Cravos. Ela não queria, mas ele insistiu. Não se passaram dois anos e Olegário também morreu no casarão. Um prego enferrujado no pé, veio a infecção, a febre das vinte e quatro horas, tudo se acabou assim. Na missa de sétimo dia de Olegário, Mariazinha foi apresentada ao Dr. Felício Assis Pacheco, jovem médico cirurgião da Santa Casa de Misericórdia. Dois ou três meses depois, tornaram-se amantes. Ele era casado com uma tal Tereza, muito religiosa, muito servil, e tinha quatro filhos homens. A paixão proibida durou cinco anos. A paulicéia toda sabia do caso. Belo dia, bem diante da Casa dos Cravos, o vigoroso Dr. Felício foi atropelado por um bonde. Logo avisaram Mariazinha, mas ela não quis ver o corpo. Correu até a cozinha, tomou um copo de orchata com formicida. A dose do veneno era pequena, Mariazinha sobreviveu, embora tenha ficado com a voz desafinada e rascante. Mesmo assim, Mariazinha arrumou um bom marido: o advogado Cesário de Morais. Foram felizes por três anos. Reformaram o interior do casarão, construíram banheiros novos, uma nova cozinha e um encantador jardim de inverno. Para infelicidade da esposa, Cesário de Morais meteu-se em negócios estranhos, perdeu sua fortuna e deu-se um tiro na boca. O corpo foi encontrado no jardim, às cinco da tarde, entre o canteiro de cravos brancos e o canteiro de cravos vermelhos. Mariazinha colocou o casarão à venda. Aos libaneses que se interessaram pelo imóvel, ela disse: "Esta casa é linda, cheia de luz e de vida. Fui muito feliz aqui dentro. Decidi vender, simplesmente porque sou sozinha e a casa tornou-se grande demais. Facilito o pagamento, aceito promissórias, deixo toda a mobília, a cozinha montada, os cristais e o piano de cauda."
Escrito por Dennis D. : 10h15

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José Joaquim / Dennis D.
José Joaquim dividiu a mulher com os amigos. Carlucho e Oswaldo ficaram com os melhores pedaços. Silvino recebeu as orelhas e os pés.
Escrito por Dennis D. : 09h22

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