Um dia, entretanto, o cuculus canorus deixou de fazer "cu-cuu! cu-cuu!" e começou a produzir um sibilo de bufa de velha, algo soprado mais ou menos assim: "shhhhhhhhhhhh! shhhhhhhhhhhh!"
Maristela, é lógico, ficou inconformada. Passou uma noite inteira a mexer e a remexer no seu querido cucozinho, mas nada de ele funcionar direito. Lá pelas nove horas da manhã, mãos trêmulas, peito carregado de revolta, ela mandou o bom senso às favas e resolveu dar o cuco ao garrafeiro. Pois não é que o garrafeiro recusou o cuco da Maristela?
"Não, não, dona, muito obrigado, mas esse cuco da senhora tá bichado!" E ainda ajuntou: "Acontece que eu sou vidrado num violão, dona, e se aceito o seu cuco, os bichinhos dele vão bichar meu pinho!"
(A vida ensina, Maristela, a vida ensina. De que adiantou mimar tanto o seu cuco? Cuco é cuco, Maristela!)