Maior do que o amor à própria vida, era o seu amor por Bella Nina, mulher pequena, rosada, macia, com hálito de açucenas.
Havia noites, na cama, em que ele quase enlouquecia. Era desejo demais! Queria ir além, mais fundo, mais forte, mais quente, mais, mais, até o ponto em que Bella Nina, voz soluçante, suplicava: "Não me mates, meu amorzinho! Não me mates!" Ele então urrava e dissolvia-se em leite.
Que mulher deliciosa! Que paixão!
Um dia, quis surpreendê-la. Foi ao banco, retirou as economias de seis meses, combinou detalhes com a dona da floricultura, depois contratou o piloto e fretou o helicóptero.
Às três da tarde, sem mais nem menos, fez chover rosas sobre a casinha de Bella Nina.
Do alto, ele viu quando sua querida saiu pela portinha da cozinha e, cara de espanto, olhos voltados para o céu, começou a rodopiar com os braços abertos. Imaginou-a a dizer "Que coisa mais linda! Que coisa mais linda! Eu não mereço tanto!"
Também a viu tombar e ficar ali, imóvel, estirada sobre o tapete de flores. Nem de longe, ele imaginou que duas pétalas haviam grudado na garganta de Bella Nina. Pensou em quase tudo... menos em sufocação.