Nicole (da série 'As Bonequinhas Infelizes') / Dennis D.
Rebeca não ficou especialmente feliz com a chegada da boneca Nicole. 'Nicole, a tenista' - estava escrito na elegante embalagem blister, que exibia, em seu verso, coloridos postais de Roland-Garros. Três dias se passaram e a minúscula raquete desapareceu. "Nicole, sua vagabunda!" - berrou Rebeca - "Você não tem miolos dentro dessa cabecinha? Queria disputar o campeonato e foi perder a maldita raquete? Você é horrível, Nicole." Um tapa fez a bonequinha se projetar contra a parede. Com o choque violento, o mecanismo de voz travou. "Sem a raquete e muda? Isto já é demais, não acha, Nicole? Lamento, mas você receberá um castigo muito, muito doloroso. Não adianta suplicar com os olhos, já está decidido. Diga adeus à sua tola vida esportiva. Diga em pensamento, porque nem falar você consegue, sua imprestável! Todos os seus sonhos morrerão daqui a dois minutos. A contagem já começou." Enquanto os pezinhos de Nicole eram introduzidos no triturador da pia, Rebeca, apertava os lábios num sorriso. A menina jamais se agradara daquela boneca com cara comprida de égua e roupinhas brancas. De repente, o mecanismo de voz destravou e frases em timbre metálico saltaram na cozinha: "Como o dia está lindo! Você é minha melhor amiga! Vamos jogar tênis?"
Escrito por Dennis D. : 04h18

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Favelão da Desesperança / Dennis D.
A Internet é a maior favela do planeta. Estamos dentro dela, sabemos o que nos cerca, sentimos o cheiro deixado pelo pessoal que mija e caga nos cantinhos todos, tropeçamos no lixo esparramado, encontramos uma flor aqui, outra ali, mas o que mais se vê são os dejetos desses sabichões de menos de trinta anos. Essa gente é um porre de vermute, um cul-de-sac do desespero, uma Bibi Ferreira cantando em infinite loop. Fato é que tentamos cercar nosso barraquinho, compramos um galão de tinta látex, vassouras, creolina, mas nada disso adianta muito. O lixo se acumula, cresce ao redor. Qualquer dia desses – a torre de lixo vai desabar sobre nós. O problema todo é que esses animais cagantes-cagados não têm realmente nada a dizer, não têm nada que preste a apresentar, nem um bordadinho, nem um bolinho-de-chuva. Sendo, pois, os bostas que são, e porque se julgam muito engraçadinhos também, põem-se a distribuir, aqui, ali e acolá, as badalhoquinhas que retiram do rego da própria bunda. Aliás, esses imbecis nem costumam lavar o rabo. Cagam e simplesmente passam o papel higiênico, a fim de remover o excesso de merda. Só o excesso - notem bem - apenas o grosso, o que lambuza mais. Água na bunda? Sabonetinho? Nem pensar! Por isso, meus caros leitores, a ladeira da decadência na blogosfera é cada vez mais inclinada. Disse alguém, faz tempo, que a juventude é uma doença que tem cura. Nem sempre, nem sempre. Quase nunca, aliás. Daqui a vinte anos, esses animais estarão fazendo o mesmo que fazem hoje: ocupar espaço físico, atravancar a linha do tempo, produzir toneladas de bosta. E só, e nada mais.
Esta faltanto um tiquinho assim para eu senhar este meu blog e cortar a linha direta com a megafavela. Esse negócio de mistura total não é riqueza, não, é promiscuidade. Você prepara um creme de baunilha e o neguinho bunda-suja dá uma mijada em cima. É dose! Por que precisaria eu suportar esses porcalhões? Qual o meu ganho? Já pensei muito em levantar o muro eletrificado. Não vivemos em ilhas mesmo? Nosso condomínio não é uma ilha? Que porcaria eu ganho estando com as portas abertas? O que eu ofereço não interessa aos bostas, então, qual o sentido dessa vulnerabilidade toda?
O mundo é deles, desses bunda-sujas safados, eu sei! Cabe a nós levantar os muros altos. Cada um que fique no seu território. Eu não passo para o lado de lá (onde impera a burrice e a fedentina), eles que não passem para o lado de cá.
Escrito por Dennis D. : 20h14

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