Tout comme il faut / Dennis D.
Na loja, os seus empregados o chamavam de Maldito. “O Maldito já saiu para o almoço?”, perguntava o rapaz do caixa. “O Maldito já está querendo pegar um pra Cristo!”, anunciava a senhorita balconista. “Cuidado com o olho comprido do Maldito!”; “O Maldito quer saber aonde colocaram a caixa com os retalhos de seda!”; “O Maldito está gripado, febril, tossindo feito um tuberculoso, mas nem assim ficou em casa!”. “Maldito! Maldito! Que maldito, esse Maldito!” Em casa, a esposa o chamava de Momorzinho. Os filhos corriam ao encontro dele, a gritar: “Papaizão! Papaizão!”. A cozinheira referia-se a ele como 'O Meu Patrão Bão’. Sabiá, o motorista, o chamava de “Meu Tesão!”, mas sigilosamente, sempre, tout comme il faut.
Escrito por Dennis D. : 11h41

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