Lady Lee / Dennis D.
Lady Lee era uma mulher pequenina, discreta, que se movia com extrema leveza. À mesa, mesmo nas refeições informais, comia porções tão reduzidas, bebia goles tão curtos e espaçados, que muitos se perguntavam como conseguia sobreviver. A pele de Lady Lee era alva, perfeita, poros invisíveis, nenhuma pinta ou mancha, nenhuma ruga em torno dos olhos negros e de cílios longos. Os lábios – ah, os lábios! - pareciam esculpidos na polpa de cerejas maduras. As mãos e pés de Lady Lee eram delicados como os de uma boneca de louça. Os sapatos que usava, com saltos altíssimos, calçariam uma menina de oito anos. E Lady Lee adorava vestidos sensuais, colantes, de cujos decotes emergia aquele maravilhoso par de seios, seios de uma autêntica ‘vênus mignon’. As unhas de Lady Lee eram longas, mas não exageradamente longas. Ela as pintava com um esmalte nacarado que não se fazia notar senão a um olhar mais prolongado. À noite, nua, entre seus lençóis de fios egípcios, Lady Lee se deleitava com poemas de Ronsard - “Quand vous serez bien vieille, le soir, à la chandelle...” Os dedos de boneca viravam as páginas da preciosa edição do século XVII e, de quando em quando, mergulhavam na bombonière de cristal, a fim de apanhar e levar à boca mais um suculento escorpião dourado. Outros tantos escorpiões dourados, recém-trazidos do Oriente Médio, permaneciam no fundo da bombonière, imóveis, entre chumaços de algodão embebidos em clorofórmio.
Escrito por Dennis D. : 12h53

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Pensamentos ao léu / Dennis D.
Quanto terá evoluído a espécie humana, desde os passos agorilados do Pitecantropus Erectus? Muito, muito, muitíssimo. Agora, os homens caminham pelas ruas, altivos e serenos, a carregar consigo um saquinho plástico de supermercado, e curvam-se para catar a bosta ainda quente de seus cãezinhos. Foram necessários milênios e milênios empilhados, para que o homem – enfim - assumisse o seu papel de servo-cata-bosta dos cachorros. Catar a bosta fresca de um cão tornou-se bem mais do que uma atitude civilizada, responsável e higiênica, bem mais do que um testemunho de respeito ao meio ambiente, é prin-ci-pal-men-te uma demonstração de amor. “Veja aquele homem! Ele ama tanto o seu animalzinho, que se sujeita a coletar-lhe as fezes ainda fumegantes! Que lindo é o amor!” ... Ó Senhor, levai-me para longe deste mundo, antes que ele evolua ainda mais!
Escrito por Dennis D. : 10h27

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