Maria Napolitana / Dennis D.
Maria Napolitana entornou meio litro de pinga com pimenta-de-cheiro, pôs-se nua, montou num porco de quinhentos e oitenta quilos e – sabe-se lá por qual método – fez com que o bicho gordo a levasse num passeio em torno da Igreja dos Anjos Atônitos. E isto aconteceu justamente no dia e na hora em que ali acontecia o casamento de Odoronte Flores com Marjorie Bicudo – ele o filho do prefeito, ela a filha de um grande pecuarista da região. Sendo Maria Napolitana a puta mais jovem e mais discreta do Cabaré Varsóvia, todo o povo ficou pasmado com a sua ousadia. Dela não se esperava nada daquilo. Defronte à escadaria do templo, a mocinha nua apeou do porco. Queixo alto, peitinhos empinados, bunda firme, pipipi-papapá, ela subiu os doze degraus e deu a entender que avançaria igreja adentro. Um dos seguranças particulares do prefeito, sujeito baixinho, troncudo, cara de cachorro bulldog, tirou o revólver da cintura, mirou no coração da puta e puxou o gatilho. A pobre mulher ainda conseguiu dar três passos, ergueu os braços e gritou: “Eu te amo, cadela!” Ouviu-se um segundo tiro. Maria Napolitana caiu para trás, com as pernas os braços abertos. De sua vagina saiu uma abelha dourada, que fez duas circunvoluções rápidas, voou até o altar e cravou seu ferrão entre os seios da noiva. Esta conteve o ímpeto de berrar, urinou-se de dor e disse com suavidade: “Sim, eu aceito.” O corpo de Maria Napolitana foi arrastado para a lateral da Igreja. O sujeito com cara de cachorro bulldog desapareceu. Virou fumaça. A abelha dourada seguiu para a padaria e pousou numa rosca trançada em forma de coração. O porco de quinhentos e oitenta quilos foi abatido, limpo, espostejado, assado e muito bem comido.
Escrito por Dennis D. : 16h26

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