A velha condessa / Dennis D.
Aos oitenta e cinco anos, perdida de amor, a condessa de Vacher começou a tomar porres diários de ilusão. Não só queria acreditar que o impossível era possível, como pretendia que este impossível lhe fosse concedido o quanto antes. Apaixonara-se pelo seu confessor, padre Louis, da Igreja Sainte-Madeleine de Besançon, um rapaz roliço, bundudo, com rosto rosado de leitãozinho pronto para o abate, e cuja voz era – aos ouvidos da nobre senhora – doce, melodiosa e lasciva. Um dia, envolta na solene penumbra do confessionário, a condessa de Vacher tomou coragem e resolver revelar o mais secreto de seus pecados: “Eu tenho desejos amorosos e carnais por um homem de Deus, um padre daqui mesmo de Sainte-Madeleine de Besançon.” O confessor arregalou os olhos e não se conteve: “Que não seja o padre Michel! Que não seja o padre Michel!”
Escrito por Dennis D. : 11h24

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