O mísero orvalho / Dennis D.
Não, Manolo, eu jamais me interessei por esportes radicais. Fui literariamente estimulado desde a infância, logo... a minha imaginação hipertrofiou-se. Hoje, eu consigo experimentar as emoções humanas mais intensas, sem tirar a bunda da poltrona. Não preciso amarrar uma corda elástica na cintura, atirar-me de altas pontes, ou sacudir-me dentro de um jipe coberto com adesivos coloridos, ou percorrer trilhas pedregosas, ou atravessar charcos infectos até a lama penetrar no avesso de minhas cuecas, ou pisar em rãs venenosas da Amazônia, ou voar dependurado em engenhocas feitas de tubos de alumínio e metros de náilon cor de laranja. Nunca fui caçador de emoções, Manolo, são elas – as emoções - que me perseguem e alcançam. Lamento que você se desgaste tanto, para liberar um mísero orvalho de adrenalina no sangue. É triste isso. A mim me basta fechar os olhos, nada mais. Quer saber de uma coisa? Sou um magnata da imaginação, Manolo! Deprimido, neurótico, mas riquíssimo de idéias. Você, bem... você é um indigente da imaginatividade. Vá pular de pontes, Manolo! Vá queimar calorias com aquela gente que amarra gravatas na testa!
Escrito por Dennis D. : 17h59

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