Bons tratos / Dennis D.
Não por amor, mas por certas conveniências, o Homem-Égua casou-se com a Mulher-Cavalo.
Eram ambos estéreis como um mulo e uma mula, por isso decidiram adotar o gracioso Menino-Potra, cujos olhos pareciam lagoinhas de mel e cujos dentes brilhavam no escuro.
Quando o belo Menino-Potra completou quinze anos, o pai adotivo matou-o com um coice certeiro no meio da testa. Matou-o por ciúme, por inveja, e porque jamais o amara como se ama um filho. Matou-o e deu sumiço no corpo.
Ao voltar para casa, ao fim daquele mesmo dia, a Mulher-Cavalo encontrou um bilhete sobre a mesa da cozinha.
“Mãe, eu vou pegar a estrada e ganhar o mundo. Perdão pelo sofrimento que lhe causo. Não chore. Prometo que um dia eu volto.
Seu filho, o Menino-Potra.”
Ela leu e releu o bilhete. Não reconheceu a letra do marido.
Na manhã seguinte, o Homem-Égua foi até a loja de animais e voltou com um filhote de Lhasa Apso.
“É pra você, querida. O nome dele é Guri-Cadela.”
A Mulher-Cavalo ficou com os olhos cheios d’água, e disse: “Que lindo!”
Depois, perguntou: “Ele vive bastante tempo?”
O Homem-Égua respondeu: “Se bem tratado, uns quinze anos”.
Escrito por Dennis D. : 14h44

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