Ao
amanhecer de uma quinta-feira cinzenta, num banco do parque, entre pombas tontas
e três cães de olhos meigos, morreu Rominita Luz, a louca de Palermo. Idade
presumida: um número qualquer entre oitenta e mil anos. Tinha duas grossas
tranças grisalhas, que alguém achou por bem desfazer, para que a
pobrecita fosse enterrada sem amarras. No miolo das tranças, encontraram
dez notas de cinqüenta dólares, uma medalha de ouro da Virgem de Guadalupe e um
par de alianças de prata espanhola.
Disse
um velho: “Que rica ela era, a Rominita!”
Surgiu,
de repente, uma moça loura e bem vestida. Ela trouxe um buquê de azucenas
blancas.
Depois,
veio a chuva, que molhou os três cães de olhos meigos. Perplexos, os cães
puseram-se a tremer de frio e de orfandade.
“Que
rica ela era!”, repediu o velho. E, metendo a mão no bolso traseiro da calça,
puxou um lenço amarrotado.
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Estive num mundinho aqui perto, estudando e fazendo
cositas musicais.
Esta aqui vai para todos vocês, meus queridos
amigos e, em especial,
para
Marianela: