A sonda / Dennis D.
O corpo desnudo, em decúbito dorsal, era de um homem branco, muito bem proporcionado, quase atlético, com pernas e braços fortes, pele lisa e uniformemente bronzeada. Um corpo masculino perfeito, que poderia pertencer a um stripper, a um ator de filmes pornográficos ou a um prostituto especializado em senhoras maduras e ricas - mas que era, na verdade, o corpo de um padre da Igreja Católica.
O rosto, apenas ele, mostrava que a idade do sacerdote rodeava os quarenta e cinco anos. As mãos eram bem tratadas, com dedos longos e unhas impecáveis. Os pêlos púbicos tinham uma cor arruivada e estavam aparados com certa arte. O traje clerical de passeio, terno cinzento, camisa branca, meias e sapatos pretos, jazia espalhado num raio de cinco metros.
Um dos patologistas da polícia curvou-se para introduzir a sonda termométrica no fígado do morto. Aquele era o procedimento correto e moderno para que a hora exata do óbito fosse determinada. Ao iniciar a retirada da sonda, o patologista percebeu uma certa resistência. Puxou o instrumento com mais força e, por fim, conseguiu removê-lo. Aconteceu, então, o inesperado: o patologista notou que, do orifício deixado pela sonda, algo longo e verde começava a ser expelido. O que a princípio parecia ser um tubinho flexível, uma tripa pulsante, logo tomou a forma de uma víbora. Apavorado, o homem endireitou-se, deu um passo para trás, mas perdeu o equilíbrio e caiu. Num bote veloz, a víbora saltou e cravou-lhe as presas entre as pernas.
Todos viram o patologista urrar de dor, rolar pelo chão, olhos arregalados e mãos sobre o sexo. Não viram a víbora. Não viram o sorriso no rosto do cadáver. Não viram quando este agarrou a sonda termométrica e se pôs de pé, ameaçador, membro ereto, excitado pelo desejo irresistível de perfurar carnes vivas.
Escrito por Dennis D. : 13h47

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