Uma canção de amor / Dennis D.
Pois bem, Manolo, tente escutar a canção. Eu canto para não chorar; tenha misericórida, não transborde o cálice, cher ami bâtard, croix de ma pauvre vie, souffrance inexorable de mes jours. A letra da canção? São metáforas do amor e do desejo. Não procure as maçãs físicas, verdes ou maduras, com ou sem vermes em suas polpas perfumadas. Pense, Manolo, pense e sinta o poema musical. É difícil para você, eu sei, mas tente, tente e tente, par la douceur de Jésus miséricordieux. Ok? Amém! Se, por fim, nada entender, vá lá — escreva-me ou me telefone em horário decente. Você já amou Pela beleza do gesto? Você já mordeu A maçã com todos os dentes? Pelo sabor do fruto, Sua doçura e sua casca, Já se perdeu algumas vezes? Sim, eu já amei Pela beleza do gesto. Mas a maçã era dura E quebrei os dentes. Essas paixões imaturas, Esses amores indigestos Me deixaram mal algumas vezes. Mas os amores que duram Tornam os amantes exangues. E o beijo deles, demasiadamente maduro, Apodrece-nos a língua. Os amores passageiros Têm febres fúteis E o beijo demasiado verde Esfola-nos os lábios. Porque ao querer amar Pela beleza do gesto, O verme da maçã Escorrega-nos entre os dentes, Ele roe-nos o coração O cérebro e o resto. Esvazia-nos lentamente. Mas quando ousamos amar Pela beleza do gesto, Esse verme da maçã Que escorrega entre nossos dentes Toca-nos o coração, O cérebro e nos deixa O seu perfume lá dentro. Os amores passageiros Fazem esforços inúteis As suas carícias efêmeras Cansa-nos o corpo. Os amores que duram Tornam os amantes menos belos. As suas carícias desgastadas Dão cabo de nós. (As-tu Déjà Aimé, a bela canção composta por Alex Beaupain)
Escrito por Dennis D. : 21h25

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