Alex Cabedo, espertinho, navega no azul / Dennis D.
Há seis anos, num 16 de março, morria Alex Cabedo, um maravilhoso amigo, inteligente, culto, talentoso, irreverente, valente e generoso.
Em memória do inesquecível Alex, para Cristina, para Paula e para a bela Carolina Cabedo, canto esta canção, cuja letra fala sobre um sonho de liberdade, alegria e felicidade: VOLARE.
Escrito por Dennis D. : 07h41

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Cinco histórias ridiculamente reais / Dennis D.
Suicídio é coisa séria, terrível, dramática — desde que termine realmente em morte. Se ficar apenas na tentativa, passa a ser coisa ridícula, risível, vira piada de mau gosto. Eu tive uma namorada (muito linda, aliás) que bebeu demais e tentou se matar por afogamento, de pé, lutando para manter a própria cabeça dentro de uma pia cheia d’água. Depois de inúmeras tentativas, essa a idiota desistiu do suicídio e passou horas a queixar-se de dores terríveis no pescoço. Num mundo 100% justo, na semana seguinte ela teria sido atropelada por uma Fiorino da Yakult. Mas este nosso mundo nunca foi justo... Uma de minhas tias-avós teve uma empregada chamada Melodia. Por influência de algum maldito filme, Melodia tentou acabar com a vida acendendo um abajur debaixo do chuveiro. Houve um estouro, a fiação da casa inteira derreteu, mas Melodia não morreu. Apenas perdeu as unhas dos pés, a sensibilidade nos vinte dedos e no lábio inferior. O mundo foi 25% justo com Melodia. Uma vizinha de minha avó bebeu dois copos de vinagre, por acreditar que assim encontraria o repouso eterno. Não morreu, foi hospitalizada e perdeu definitivamente a voz. Ficou mudinha, mudinha. Nesse caso, pelo menos, o mundo foi 50% justo. Eu tive uma amiga, cuja pobre mãe ligou o gás, meteu a cabeça dentro do forno e ficou à espera da morte. O gás, que era de botijão, estava no fim e soprou por míseros dois minutos. O vexame ficou por conta de ela ter adormecido e de ter sido encontrada naquela posição. Digamos que, nesse caso, o mundo tenha sido 10% justo, se tanto. Meu avô contava o caso de um estudante de Direito que, por sofrimentos de amor, subiu ao telhado de uma Igreja e lá ficou uma noite e uma madrugada inteiras ameaçando atirar-se ao chão da praça. Dizia vovô que, ao chegar a luz do dia, o rapaz gritou meia dúzia de palavrões e anunciou que não valia a pena se matar por causa de uma sujeita como aquela. Levantou-se, ajeitou o terno amarfanhado e começou a caminhar cuidadosamente na direção dos arcos da torre. Nesse momento, os sinos tocaram em sinal de agradecimento pela vida poupada. O estudante, que não esperava por aquilo, assustou-se e despencou daquelas místicas alturas. Morreu, é claro. Nesse caso, convenhamos, o mundo foi 90% justo. Teria sido 100% justo, se o rapaz estivesse voltando para os braços da namorada arrependida que o esperava sob um dos arcos da torre... e, com o susto, o pobre apaixonado se agarrasse à mãozinha da amada... e os dois despencassem juntinhos, juntinhos. ________ Dedico esta canção aos meus prezadíssimos amigos-leitores e também, mui respeitosamente, à graciosa mulher do Manolo. Para me ouvir, cliquem aqui.
Escrito por Dennis D. : 01h28

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