Pedro Ímphimo / Dennis D.
Pedro Ímphimo sempre foi um chato, Desde menino, “desde o útero materno”, como dizia sua mãe. Além de chato, ele tinha verdadeiro horror a germens e bactérias: lavava as solas dos sapatos, todo o santo dia, quando voltava para casa; deu um primeiro e único beijo na boca de uma mulher, porque estava bêbado de cair e, ainda assim, foi um falso beijo, pois entre a boca da fulana e a boca de Pedro Ímphimo havia uma folha de papel-filme, desses usados nas cozinhas mais higiênicas. Um dia, Pedro Ímphimo acordou sozinho. Todos os parentes o haviam abandonado. O cachorro e o papagaio também deram no pé. Triste, Pedro sentou-se na beira da cama e levantou os olhos para os porta-retratos enfileirados sobre a camiseira. Naquelas fotos todas ele também ficara sozinho: havia apenas manchas brancas em lugar das imagens dos parentes e dos colegas que antes o acompanhavam nas fotografias. Na foto mais recente, em que Pedro estava com o braço sobre os ombros da avozinha, esta também havia desaparecido. A avozinha fugira tão apressada que deixara, pairado no ar, o seu sutiã com um alfinete de gancho na alça a prender medalhinhas de santos e um agnus dei. ... 'In My Solitude' é uma bela canção que certamente está entre as minhas 10 preferidas. Música de Duke Hellington com letra de Irving Mills, composta em 1934, traz uma carga de lirismo e de sentimentalidade que não se esgota com o passar das décadas. Eu canto aqui. In my solitude you haunt me With reveries of days gone by In my solitude you taunt me With memories that never die I sit in my chair I'm filled with despair There's no one could be so sad With gloom ev'rywhere I sit and I stare I know that I'll soon go mad In my solitude I'm praying Dear Lord above Send back my love
Escrito por Dennis D. : 08h46

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