Tio Nenê / Dennis D.
Tio Nenê abriu os olhos e disse “bom-dia” à atendente Tatiana. Virou a cabeça em direção às janelas e viu que ainda era noite fechada. Agradeceu mentalmente a Deus por estar num leito tão confortável e limpo, no quarto particular de um dos melhores hospitais de São Paulo. Ele sentiu, então, que a friagem dos pés lhe subia em direção aos joelhos. Não era tolo e percebeu o significado daquele frio que, dos joelhos, já se irradiava para as magras coxas. Pediu uma revista e uma caneta. “Depressa, mocinha! Depressa, por favor!” Na escrita urgente, garranchada sobre um anúncio da Coleção de Inverno C&A, Tatiana leu: “Meu sobrinho José Paulo é, na verdade, o meu filho biológico. Podem fazer o DNA. Perdão, Palmira, minha velha.” Os aparelhos emitiram um apito contínuo, que misturou-se ao ronco abafado do último peido de Tio Nenê.
Escrito por Dennis D. : 08h21

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