Vinte e três e trinta / Dennis D.
Ninguém vê os olhos que se arregalam na escuridão; ninguém vê as mãos que se agarram aos cantos do colchão estreito; ninguém vê a sombra cinzenta que paira acima do guarda-roupa e depois escorrega para o chão, macia, muito leve, feito fumaça, feito aqueles véus leitosos que cobrem os defuntos nos caixões; ninguém vê o que se passa no quarto daquela criança, todas as noites, todas as noites, todas as noites. Hoje, agora mesmo, a sombra cinzenta se ergue aos pés da cama. Parece o vulto magro de um enorme louva-a-deus. A sombra se debruça, muito leve e fria, sobre a pequena cama. A criança trinca os dentinhos, estremece e morre. Morre de susto, mas ninguém saberá do que morreu exatamente.
Escrito por Dennis D. : 22h15

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